Dicas de manutenção 1: … e o HD que veio do frio.

Dicas de manutenção 1: … e o HD que veio do frio.


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Depois de pensar e repensar (um pouco, pensar demais cansa), concluí que uma série de posts sobre dicas de montagem e manutenção de micros podem ser úteis a todos nós. Então, métodos pouco usuais serão falados por mim nessa sequência de posts. Como bom adepto do SL, creio que a informação clama por ser livre, e compartilhar conhecimento estabelece as bases para a formação de uma sociedade. A propósito, se você tiver uma dica interessante para contar, coloque nos comentários. Ah, uma última coisa: Na medida do possível vou linkar páginas para explicar o que estou falando, mas não vou explicar muito tudo, porque senão deixa de ser “dicas de manutenção” para ser “testamentos de manutenção”…
Começando esses posts, então… O que dizer de uma situação como essa abaixo?
HD no gelo
Isto é um HD congelado. E sim, ele está funcionando...
Ficou curioso? Pois continue lendo…

A motivação para começar essa série de dicas foi quando um HD de 500 Gb deu defeito. Se já é ruim um HD dar defeito, pior é quando ele faz parte de uma matriz RAID 0, e toda a matriz tranca pela falta dele. Explico: Eu tinha (do verbo “não tenho mais”) 3 HDs que juntos, formavam uma matriz de HDs no formato RAID 0. Os HDs eram um de 1,5 Tb, o de 500 Gb supracitado e a maior parte de um HD de 250 Gb. Todos os três são Seagate (prefiro Seagate, explico num próximo post). Logo, para o sistema (formatado em btrfs), todo o conjunto era um HD só, de 2,2 Tb. Como é RAID 0, os dados são salvos em todos os HDs, logo a menor partição logo encheu, seguida por 292 Mb consumidos no HD de 500 Gb, e mais outro tanto no HD de 1,5 Tb (o meu storage tinha 790 Gb ocupados).
Só que o problema de RAID 0 é que, quando um dos discos dá defeito, você pode ter sérios problemas para acessar o seu conteúdo. Como aconteceu comigo, todos os HDs foram “trancados”, e mesmo os HDs bons ficaram inacessíveis.
Outro close do HD no gelo
Outro close do HD no gelo
Primeira dica: Evite RAID 0. A não ser que você goste de viver perigosamente ou precise, use RAID 1 ou RAID 5. Esqueça RAID 0. Já usei RAID 0 num antigo servidor que mantive na escola onde leciono. Ele era um Pentium 166 com overclock para 200 Mhz (sim, um Pentium UM!), 48 Mb de memória RAM, 4 HDs que juntos faziam 10 Gb… E segurava um monte de coisas na minha rede. Montamos em RAID 0 para aproveitar melhor o espaço. Ah, já contei que os HDs eram presos com fio? Sim, fio grosso e encapado, 2 HDs presos, um na posição normal e outro, em cima, de cabeça para baixo. E funcionava. Mas eram HDs muito pequenos, não dava para fazer mais do que isso, e mesmo que se perdesse, tínhamos cópia em algum canto dos HDs dele, era só arrumar outras tranqueiras e recolocar por lá.
Segunda dica: Todo HD vai dar defeito. Você não sabe quando ou como irá dar defeito. Mas ele irá dar defeito. Escreva nos seus cadernos. Piche nas paredes. Passe esse conhecimento aos seus filhos e companheiros. Tatue na sua testa, se for preciso. Mas saiba que isso irá acontecer um dia.
Como formatei o sistema de arquivos usando btrfs (“Better FS”, “Butter FS” ou “B-Tree FS”), esperava não ter problemas para acessá-lo. O btrfs é um mega sistema de arquivos open-source, patrocinado pela Oracle, e cheio de recursos bacanas, como:
  • Você pode adicionar e remover volumes no seu sistema de arquivos de forma online. Ou seja, insira e remova HDs na sua base de dados sem ter que reiniciar nada.
  • Desfragmentação online. Claro que a fragmentação é muito pequena em sistemas de arquivos mais evoluídos, como ext2/3/4, HFS+, UFS, e porque não, NTFS. Mas o btrfs foi feito para ser usado em vários HDs.
  • Otimização para SSDs. Os SSDs estão chegando aos poucos. E, apesar de caríssimos (um SSD de 32 Gb está custando R$ 230, segundo o BoaDica, aqui do Rio), são muito rápidos, mas… Como qualquer mídia semelhante (isso vale para pendrives e cartões de memória), tem um número finito de acessos. Depois disso, adeus. O btrfs pode ser otimizado para usar SSDs, o que significa que realiza muito menos gravações e leituras, justamente para prolongar a vida útil do dispositivo.
  • Compressão de forma transparente, como é o caso de alguns sistemas, como o próprio NTFS tem.
  • Conversão de ext3/4 para btrfs e vice-versa.
  • Jornalização, o famoso sistema que permite que você desligue um computador à plena carga, e na reinicialização, a checagem é de apenas os possíveis arquivos corrompidos. O NTFS tem suporte, mas não sei se vem implementado como padrão.
  • Gerenciamento de matrizes RAID 0 (stripping) ou RAID 1 (mirroring) feito pelo próprio btrfs.
  • Uso de subvolumes, clonagem, copy-on-write, snapshots… Bem, explicando de uma forma mais fácil: sabe a Time Machine, da Apple? Que tal você ter isso embutido no seu sistema de arquivos, plenamente configurável por você, e funcionando melhor? Sim, a Time Machine não é um sistema de snapshots, mas somente um backup incremental num volume separado. No caso do btrfs, o sistema cuida disso tudo, no próprio volume.
Logo, com todos esses recursos (e mais alguns), o btrfs é o que há de novo em termos de sistemas de arquivos para Linux. O problema é que ele ainda está em desenvolvimento, na versão 0.19. Sistemas como o ZFS implementam soluções semelhantes, só que só podem ser usados com Linux usando soluções como o FUSE, já que há incompatibilidade de licenças (GPL e CDDL) entre o kernel Linux e o ZFS. No caso do ZFS, a fama é que você não corrompe os arquivos nem querendo. Mas mais detalhes sobre sistemas de arquivos ficam para um post sobre os filesystems, no futuro.
Voltando ao HD… Já usei ZFS, e perdi os dados por um erro meu. Usei btrfs então, pois por causa do FUSE o meu servidor “sentou no chão” com o ZFS acoplado e numa nova distribuição de Linux. Mas, inexplicavelmente, o btrfs não me deixou montar o sistema de arquivos (RAID 0) mesmo com um HD faltando (e a documentação dizia que era possível).
Terceira dica: Se você quer usar qualquer coisa experimental no computador, prepare-se para emoções fortes. Só achei que o ext4 fosse estável quando o próprio desenvolvedor (o Theodore T’so, o primeiro desenvolvedor norte-americano do kernel Linux) migrou o HD do seu desktop para o novo sistema de arquivos. Um dia irei usar btrfs novamente, mas por enquanto… Vamos no feijão-com-arroz, o ext4 mesmo.
Última investida: HD completamente congelado.
Última investida: HD completamente congelado.
Mas, como disse lá em cima, o HD morreu. Parou de funcionar, e não consegui acessar toda a base de dados, apesar do problema ser de um dos HDs apenas. Aí vem a pergunta: Como resolver? Bem… Alguns de vocês já devem ter ouvido falar sobre o “truque indígena” do resfriamento de discos rígidos para poder acessá-los quando dão defeito. A idéia é simples: Quando o disco tem algum problema na parte mecânica, abaixar a sua temperatura pode ajudar a resolver o problema temporariamente: Todos os componentes são, na sua maioria, de metal, e que contraem razoavelmente com a baixa temperatura. Logo, folgas que vierem a ocorrer serão diminuídas… Por um tempo. Quando o HD novamente se aquecer (o que não demora), o problema volta a acontecer, pois ele dilatou-se e voltou ao “normal”.
Resolvi então tentar. Comprei um novo HD de 1,5 Tb, exatamente igual ao HD anterior, e resolvi puxar todos os dados da base corrompida. O HD de 500 Gb tinha 294 Gb de dados, e tentei apenas congelá-lo na geladeira para tentar recuperar os dados. Consegui recuperar uma pequena parte (montando toda a matriz RAID), mas logo ele se aqueceu e voltou a ter problemas.
Quarta dica: Se você precisa ler o conteúdo de HDs periodicamente, uma boa compra é um adaptador IDE-USB. Esses adaptadores permitem que você espete um HD SATA, P-ATA (40/80 vias) ou um HD de notebook (44 pinos) via USB no micro, e vem com uma fonte externa para o dito. Existem docking stations, que são bases onde você espeta o HD na vertical. Funcionam muito bem, mas não são úteis em situações de… Congelamento. No meu caso, o meu adaptador quebrou uma árvore para ligar o HD. Já precisei trocar o sistema operacional dos meus netbooks (adeus “janelas”, bem-vindo Linux), e é muito mais fácil por um adaptador desses com um CD-ROM espetado do que passar o sistema para um pendrive, e fazer com que ela inicialize por lá. Fica muito mais fácil. Esses adaptadores devem custar uns R$ 40, hoje em dia, e compensa tê-los.
                                                                                                                             Fonte(guanabara.info)

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